O que é? Falamos de personalidade quando nos referimos à nossa maneira habitual de ser, tendencialmente estável ao longo do tempo, que influencia a forma como nos relacionamos com os outros e connosco próprios. Quando estas características de personalidade são inflexíveis e inadaptadas, de modo persistente aos contextos e causam impacto na vida diária (profissional, pessoal, familiar, social) e sofrimento pessoal e nos outros, podem constituir uma perturbação da personalidade.
Quais as manifestações? Algumas das principais manifestações de uma pessoa que tem uma perturbação da personalidade podem incluir ser dominado por sentimentos negativos, incluindo ansiedade, tristeza, desesperança, raiva ou stress, evitar outras pessoas, sentir-se vazio e desconectado da realidade, automutilação e violência. Podem também ter dificuldades em manter relações estáveis e próximas, conflitos persistentes na relação com os outros, tendência para o controlo, perfeccionismo e para a inflexibilidade, dificuldades na regulação das emoções e dos comportamentos (por exemplo, impulsividade), sentimentos de insegurança persistentes, instabilidade pessoal, emocional e relacional, dificuldades na definição da identidade e autoestima inapropriadamente alta ou baixa.
Consequências? Os sintomas das perturbações da personalidade podem ter um impacto negativo nas relações interpessoais, pela presença de dificuldades, como por exemplo instabilidade, conflitos, elevada inibição, controlo. As perturbações da personalidade podem estar associadas a autocriticismo elevado, sintomatologia depressiva, ansiosa e de stress, comportamentos de risco (por exemplo, abuso de álcool, abuso de substâncias, jogo patológico, comportamentos sexuais de risco) e sentimentos persistentes de vazio e de incompreensão. Além da diminuição da qualidade de vida, podem ainda interferir nas atividades diárias, como trabalho, estudos, relacionamentos e lazer, com prejuízo ao nível da saúde física e mental.
Causas? As causas para as perturbações da personalidade são complexas e multideterminadas, ou seja, têm por base uma interação entre a influência genética, temperamental e contextual (por exemplo, experiências adversas de vida, trauma, dificuldades no padrão de vinculação) ao longo do desenvolvimento.
Evolução clínica. O diagnóstico de perturbação da personalidade só pode ser feito na idade adulta, considerando que apenas nesta fase desenvolvimental as características da personalidade estão consolidadas. No entanto, as dificuldades que precedem uma perturbação da personalidade vão surgindo e mantendo-se estáveis ao longo do desenvolvimento, começando habitualmente na infância e adolescência.
Intervenções. No tratamento das perturbações da personalidade é importante um trabalho multidisciplinar entre o acompanhamento psicoterapêutico e psiquiátrico. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é a intervenção psicoterapêutica que reúne mais evidência científica em termos de eficácia para o tratamento das perturbações da personalidade. Nesta linha, recorremos particularmente às terapias de terceira geração, particularmente à Terapia da Aceitação e Compromisso (ACT), Terapia Comportamental Dialética (DBT), Terapia Focada na Compaixão (TFC), Terapia dos Esquemas e Terapia cognitiva.
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