A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma perturbação do neurodesenvolvimento. Tem o seu início na infância, e frequentemente perdura na adolescência e acompanha a vida adulta. A sua etiologia é multifactorial, sendo a predisposição genética e as vulnerabilidades biológicas considerados os fatores mais importantes.
A PHDA expressa-se em três grandes dimensões comportamentais: a dificuldade em regular a atenção (desatenção), o excesso de atividade motora (hiperatividade) e a dificuldade em antecipar as consequências do próprio comportamento (impulsividade). Estes sintomas interferem significativamente nos diversos contextos de vida, nomeadamente no contexto académico e/ou profissional, no contexto familiar, nas relações interpessoais e no bem-estar emocional. No entanto, como a PHDA é uma perturbação heterogénea, cada pessoa pode apresentar uma constelação diferente de sintomas que cobrem um espectro de forças e fraquezas psicológicas. As características do contexto podem, por sua vez, minimizar as fraquezas e promover as forças ou vice-versa.
No processo de avaliação da PHDA, são recolhidas, de forma aprofundada, todas as informações clínicas, bem como as dificuldades enfrentadas atualmente e ao longo do desenvolvimento do indivíduo e dos respetivos impactos, em todos os contextos de vida. Este levantamento é conduzido por meio de entrevistas clínicas, instrumentos de avaliação psicológica e uma avaliação complementar da atenção e das funções executivas, com recurso a uma bateria de testes e questionários. O diagnóstico da PHDA é clínico e resultante do cruzamento de informação proveniente de diversas fontes, bem como, preferencialmente, de diversos informadores (é importante envolver o próprio indivíduo, os pais, os professores e os parceiros dependendo da faixa etária). Todos os dados são analisados por profissionais de saúde com formação especializada na área.
Tipicamente os sintomas da PHDA alteram a sua apresentação ao longo da vida, sendo normal que, por exemplo, a hiperatividade na criança altere a sua manifestação quando esta transita para a adolescência e posteriormente para a fase adulta. Para além dos sintomas poderem alterar a forma como se manifestam, também podem aumentar, diminuir ou manter a sua presença ao longo do desenvolvimento. A hiperatividade é um sintoma que tende a diminuir com a idade, ao contrário da desatenção, que tende a manter-se. A evolução da PHDA dependerá de factores tais como, o historial familiar genético de PHDA, o potencial cognitivo, o número e severidade dos sintomas, a intervenção especializada precoce e a presença de outro tipo de perturbações.
A intervenção na PHDA deverá combinar a intervenção farmacológica com a intervenção psicoterapêutica, preferencialmente de orientação cognitivo-comportamental. A intervenção tem como objetivo trabalhar as dificuldades que acompanham a criança, o adolescente e o adulto, com impacto nos diversos contextos, para uma vida com maior funcionalidade. É fundamental, nas faixas etárias mais novas, incluir no plano de intervenção com a família e com a escola.
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